terça-feira, 1 de setembro de 2009

Claustrofobia, Respiração, Correção e Retratação

Gostaria de aproveitar este espaço público para fazer alguns esclarecimentos, correções e um pedido formal de desculpas para minhas amigas e colegas de faculdade Alaiane e Roberta.
Ontem à noite num intervalo de aulas, fui abordado por elas sobre o post que fiz aqui neste blog com o vídeo "Claustrofobia e Respiração", de nossa autoria. O vídeo foi criado para um seminário do curso de Literatura Brasileira II, da Faculdade de Letras/Literaturas da Universidade Federal Fluminense(UFF). Entretanto, algumas palavras colocadas no post geraram algum desconforto às duas e portanto resolvi, mais do que me retratar ou tentar me explicar, fazer um mea culpa.

Não ficou muito claro no post que a autoria do vídeo é de nós três, ou seja é um trabalho em conjunto. Por ter usado o termo "Colaboraram no roteiro e direção minhas amigas Alaine e Roberta" posso ter passado a idéia de que as duas apenas fizeram uma pequena contribuição, quando na verdade são co-autoras.

Em outro momento também afirmei tratar-se de uma "interpretação pessoal" da obra de Antonio Cicero. Tal fato deve-se à minha intenção de alertar o possível espectador do vídeo estivesse consciente de que não é necessariamente a interpretação do autor do livro(o poeta Antonio cicero). Nunca foi minha intenção passar a idéia de que construí um roteiro sozinho, ou que todo o trabalho partiu de mim. Mas, admito que a forma como a informação foi colocada no post abre margem a esta interpretação, ainda que os créditos no vídeo desmintam esta hipótese. O uso de expressões como "minha reação particular" realmente induzem a esta interpretação.
Talvez por escrever neste blog sempre usando a primeira pessoa tenha cometido este "ato falho". Não vou tentar me justificar. Após ler e reler este post inúmeras vezes na noite passada, e colocando-me na posição delas e dos demais leitores, creio que elas têm razão e meu objetivo aqui é dar esta razão a elas. Minha culpa, minha máxima culpa. Peço desculpas publicamente pelo meu erro a todos os que possam ter sido conduzidos a interpretação incorreta dos fatos através de minhas palavras e sobretudo às minhas amigas Alaiane e Roberta, a quem muito estimo, pelo prejuízo causado.

PS.: o post já foi devidamente corrigido.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Recordar é Viver

Capítulo de hoje: Frases de Lula

1986: “Sarney não vai fazer reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Maranhão”.

1987: “Nós sabemos que antigamente - os mais jovens não conhecem -, mas antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão (sic), mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República(José Sarney), perto dos assaltos que faz”.

1987: “Sarney é um impostor que chegou à Presidência assaltando o poder”.

1993: “De todos os deputados do congresso, pelo menos 300 são picaretas”.

Em 1995, virou letra de música, cantada pelos paralamas:

"Luiz Inácio falou,
Luiz Inácio avisou:
são 300 picaretas
com anel de doutor"

1998: “Uma vez eu falei que havia uns 300 picaretas no congresso, mas a coisa só piorou”.

2009: “Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

Ou seja... agora existe tratamento diferenciado para pessoas no Brasil. A discriminação foi oficializada de vez? Ainda existe a tal da constituição federal?

O último a sair, favor não esquecer de apagar a luz.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ética?


“A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são,
mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta”
Álvaro Valls in “O que é ética”, 1993.

Quando somos convidado à casa de alguém, que tipo de comportamento é esperado de nós, e que tipo de comportamento nós, pessoas ditas civilizadas, apresentamos? Acaso jogamos as cinzas e pontas de nossos cigarros no assoalho? Fazemos o mesmo com pedaços de papel ou qualquer outro elemento que exerça o nada nobre papel de lixo? Vasculhamos as gavetas e entramos em todos os cômodos da residência independentemente de termos sido convidados para tal, como se estivéssemos totalmente livres de regras que determinam o bom comportamento humano? Se a sua resposta é não, então responda: por que muitos agem desta forma nas ruas? Por que insistem em jogar seu lixo nas calçadas e ruas, por que param seus automóveis em qualquer lugar, por que ocupam duas faixas de rolamento no trânsito, buzinam feito loucos, ocupam desordenadamente as calçadas e passeios públicos? A resposta é mais simples do que se pensa: porque em nosso país vivemos imersos num sentimento cultural de que a coisa pública não tem dono, não pertence a ninguém, está ali para ser usada predatoriamente pelo primeiro que chegar quando na verdade o sentimento deveria ser o extremo oposto. A coisa pública tem milhões de proprietários que pagam impostos e esperam poder usufruir dentro de certas regras daquilo que é seu por direito e a manutenção deveria ser responsabilidade de todos os co-proprietários.

O que ocorre na esfera política é reflexo deste aspecto hediondo da cultura nacional. Vemos a cada dia o presidente do Senado José Sarney afundando num mar de denúncias que só comprovam este mau hábito nacional. Os cargos públicos e até mesmo a instituição do Senado Federal são tratados como se fossem propriedade particular. Cheguei primeiro, é meu, oras! Veja bem o trecho mais comovente das gravações das ligações telefônicas entre o filho de Sarney e o ajudante de ordem Aluísio Mendes:

Fernando Sarney: Muito bem. O irmão da Bia, quando papai era presidente do Senado, eu arrumei emprego pra ele lá. Ele agora tá saindo e eu liguei pro Agaciel ver a possibilidade de colocar o namorado da Bia lá. Porque me ajuda, viu, é uma forma e tal de dar uma força pra mim. E o irmão tá saindo, é uma vaga que podia ser nossa.

É isso mesmo. Vaga que podia ser NOSSA! E os defensores de Sarney, além do próprio, insistem em dizer que não há nada de irregular nisto. "São conversas políticas", dizem alguns. "É uma prática comum", afirmam outros, como se isto justificasse alguma coisa. Quer dizer então que se virar um hábito matar, roubar, estuprar, então tudo bem? É comum, deixa pra lá? E se é algo assim tão comum, se não há nada de irregular, porque o rapaz, namorado da neta de Sarney, foi admitido nos quadros do Senado mediante ato secreto? Se é tão "normal", porque não foi publicado em diário oficial?

O que mais incomoda a mim nisto tudo não é o fato em si, mas uma constatação ainda pior: ouço as pessoas nas ruas, no trabalho, na barbearia tentando pôr panos quentes. E isto porque no fundo, também se sentem culpadas, ou tornaram-se indiferentes diante de tantos esqueletos que saem dos armários todos os dias. As que se sentem culpadas são aquelas que se perguntam: se fosse eu o senador, o político, o empresário... faria diferente, ou agiria da mesma forma? Muitos sentem-se incapazes de protestar porque olham para dentro de si e vêem ali os mesmos vícios malditos. É terrível olhar para o espelho e não enxergar a mesma ética que se espera do outro, especialmente das pessoas escolhidas para gerir o bem comum. Parece que esqueceram de ensinar um pouco de ética para o brasileiro. Ou não enfatizaram a importância dela para o bem estar comum e pessoal. Um pouquinho só que fosse. O tempo passou e ser ético tornou-se algo obsoleto, obtuso, demodé.

Não adianta a renúncia do Sarney, não adianta a suspensão dos atos secretos, não adianta mudar a legislação. É preciso fazer tudo isso sim, pois sem isso, sem correção, não é possível dar mais nenhum passo à frente. Mas é preciso um choque cultural, uma mudança na mentalidade do brasileiro ou então, estaremos dia após dia nos deparando com novos escândalos e nos acostumando cada vez mais com eles a ponto de deixarem de ser escândalos aos nossos olhos. Como se promove esse choque cultural? Não sei a resposta. Infelizmente não sei.

Quando eu tinha quinze anos, surgiu o primeiro grande escândalo de corrupção desde a redemocratização do país. Fui à rua de cara pintada e lembro de toda uma geração que gritava pela ética, pelo afastamento do presidente envolvido em denúncias de corrupção. Dezessete anos se passaram e sabem qual o pior sentimento que trago hoje em meu peito? Tenho pena do Collor!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Claustrofobia e Respiração

Chegou até mim e perguntou:

- Quem você levaria para uma ilha deserta?
- Antonio Cicero.
- Tá me gozando?
- Não. Assiste aí.




quinta-feira, 16 de julho de 2009

Responda se Puder


O que é mais interessante na matéria abaixo:




a) O fato inédito e inusitado;

b) A foto que ilustra a matéria, onde um policial rega tranqüilamente um dos pezinhos da "erva";

c) A onda de vegetais orgânicos chegou pra ficar;

d) Nada de especial, eu faço o mesmo há anos...

e) N.R.A.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

ômi é tudu iguar...



Obama: - ATDARRÉUISDÉT, man!!!????

Sarcozy: - Cést le BUSANFÂ de la patrie!

Lula: - Incuantú cêsvê, eu pégu! É nóçu principáu podruto di ispôrtassaum!

Michelle, Bruni e Mariza: - SANÒFABITI! SAC'ANA! FÉLADAPUTA!

Eu: - Parfait! Sinistro! Great!

Porquê? Aqui ó.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A vida sobre um fio



Percebendo o relativo esvaziamento das ruas, naturalmente causado por ocasião do dia das mães, quando as pessoas tendem a ficar em suas casas reunidas, decidi caminhar pelo calçadão da praia de Icaraí até o Museu de Arte Contemporâneo no mirante da Boa Viagem. Aproveitei, é claro, para tirar algumas fotos e fazer algumas anotações. Extasiado que ainda me encontrava por ter assitido no dia anterior ao filme "O Equilibrista"("Man on Wire", no título original), pus-me a rabiscar algumas notas no Moleskine ali, sentadinho sob a obra de Niemeyer, enquanto observava, vez em quando, um ou outro barquinho de pescadores emoldurados pela entra da baía da Guanabara.

Não me prenderei aqui, portanto, a fazer minha própria crítica sobre o filme, uma vez que este filme parece-me ser um daqueles raríssimos casos de unanimidade entre os profissionais da área em todo o planeta. Até agora não li uma crítica negativa sequer. Prefiro, pois, fazer uma breve reflexão aqui sobre a vida e o sentido de ser, de estarmos vivos e assim nos mantermos dia após dia. Ou melhor ainda. Coloco algumas palavras na mesa, e deixo, a quem quiser, as reflexões e conclusões.

O filme, por trás de toda a técnica empregada e da história propriamente dita(homem obcecado em caminhar sobre uma corda estendida no vão que separava as torres do agora derrubado World Trade Center), surpreende-nos a todo instante com reflexões acerca da amizade, dos efeitos da exposição aos holofotes da fama e principalmente sobre a grandeza de viver uma vida acima da mesmice cotidiana - espécie de doença que parece atingir a grande parte da população mundial - , uma vida não necessariamente criminosa, mas fora das regras que nos são impostas e a busca da poesia do dia-a-dia, aquela que é possível encontrar onde menos se espera, mas que é preciso uma dose extra de sensibilidade para percebê-la e uma dose ainda maior de coragem para vivê-la em plenitude. Esse é o grande trunfo de "Man On Wire": além de um documentário interessante sobre a arte contemporânea, sobre um artista que fazia intervenções artísticas urbanas em uma época em que isso não era nada comum, este se mostra ainda mais potente ao narrar um sonho e uma maneira de “ser” transgressora, questionadora. A grande mensagem é que O belo pode ser provocado em quase qualquer lugar, especialmente quando se confronta a fragilidade/bravura humana com a grandiosidade do que os homens conseguiram criar. É como se a beleza surgisse justamente do local menos esperado, na antítese entre o que parece extremamente artificial/cinza com a suavidade/originalidade de um balé pelo ar. O homem desafiando a lógica consegue, realmente, inspirar. Assim é Philippe Petit: um garoto francês que cresceu tendo idéias criativas e que, aos 17 anos, ficou maravilhado com o projeto do que seriam os maiores edifícios do mundo e que, em seu currículo, desde que começou suas aventuras, teve mais de 500 prisões, além de ter arriscado por inúmeras vezes a sua própria vida em prol de sua arte. Voilà!

A mensagem do filme acaba por somar-se, em meus pensamentos, aos encantadores versos de Antonio Cicero com os quais tive contato esta semana enquanto lia "A cidade e os livros". Transcrevo, portanto, para conhecimento de todos:

NÊNIA

A morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a morte e, agora que há, ele já não vive. Não temer a morte tornava-lhe a vida mais leve e o poupava de desejar a imortalidade em vão. Sua vida era infinita, não porque se estendesse indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual, não tinha limite. Tal qual outras coisas preciosas, ela não se media pela extensão mas pela intensidade. Louvemos e contemos no número dos felizes os que bem empregaram o parco tempo que a sorte lhes emprestou. Bom não é viver, mas viver bem. Ele viu a luz do dia, teve amigos, trabalhou, amou e floresceu. Às vezes anuviava-se o seu brilho. Às vezes era radiante. Quem pergunta quanto tempo viveu? Viveu e ilumina nossa memória.

Vale mais a pena viver muito tempo, ou viver muita coisa? Vale viver a poesia de cada instante? Vale arriscar-se e assim, quem sabe, viver uma vida grandiosa, ou viver uma vida sem sobressaltos, porém medíocre, apagada e sem realizações? Afinal, viver pra quê?